Direccão Regional
Camões, poeta do povo e da pátria, num mundo em mudança!
José Augusto Esteves, membro da Comissão Central de Controlo do PCP
19 de Fevereiro de 2025
Luís de Camões nasce quando passam pouco mais de vinte anos do momento em que a frota de Vasco da Gama abre a primeira Rota que une os dois oceanos, o Atlântico e o Indico, em direcção à Índia e que o imortal poeta da Epopeia de “Os Lusíadas” celebrará, como nos diz Óscar Lopes, como símbolo do começo desta fase de inter-relação transoceânica e omnicontinental.
Pensei que poderia ser útil para o nosso debate, antes de quaisqueroutras considerações sobre a obra de Camões, como poeta do povo e da pátria e que, com muito mais propriedade, nos falará Carina Infante do Carmo, trazer a traço largo esse mundo que a consigna das Comemorações do V Centenário do nosso poeta, promovidas pelo PCP, afirma ser um “mundo em mudança”.
Útil, pensamos, desde logo, porque são variadas as perspectivas e leituras que se apresentam visando situar o mundo desse tempo de grandes mudanças e também de grandes contradições que a obra de Camões vai reflectir, nomeadamente trazendo o que uma certa historiografia anglo-americana revisionista da história hoje omite e desvaloriza quando não estigmatiza o passo dado pelas navegações portuguesas e evidenciar o que o nacionalismo ultramontano e fascista ocultou e manipulou, durante 48 anos, em Portugal – o colonialismo com toda sua violência.